Ano Novo, feriado na praia, e o cinema latino renova mais uma vez o seu mal-estar diante do mundo
29 de Setembro de 2010
Agua Fría de Mar
Costa Rica / França / Espanha /
Holanda / México , 2009
83 minutos
Drama
Direção:
Paz Fábrega
Roteiro:
Paz Fábrega
Elenco:
Montserrat Fernandez,
Lil Quesada Morua,
Freddy Chavarría,
Annette Villalobos,
Luis Carlos Bogantes
Costa Rica / França / Espanha /
Holanda / México , 2009
83 minutos
Drama
Direção:
Paz Fábrega
Roteiro:
Paz Fábrega
Elenco:
Montserrat Fernandez,
Lil Quesada Morua,
Freddy Chavarría,
Annette Villalobos,
Luis Carlos Bogantes
Água Fria do Mar de Fábrega, assim como O Pântano de Martel, se passa durante um feriado. É Ano Novo na Costa Rica, e um casal de noivos aproveita a viagem à praia de Marino Ballena para mostrar um terreno para um gringo que pensa em abrir um hotel por ali. O noivo cuida dos negócios, enquanto ela passa seus dias pensando, aparentemente, na estranha menina que se dizia órfã que os dois encontraram no dia em que chegaram.
A trama de Água Fria do Mar, se é que dá pra chamar assim (a colagem de situações é que forma um painel), transcorre fazendo um paralelo entre a noiva e a menina, duas criaturas desconfortáveis em si mesmas, ambas em rota de fuga. Na melhor tradição de Martel, para quem o calor dos trópicos só agrava a febre de viver, Paz Fábrega vê em situações para nós corriqueiras, como os buracos que as crianças cavam na areia da praia, sintomas de um mal-estar diante do mundo.
A infestação de cobras marinhas que a maré fria traz para a orla de Marino Ballena é só o símbolo mais evidente desse descompasso com a realidade. Se para Martel as cenas "doentes" já têm um tanto de realismo fantástico, Paz Fábrega, formada em fotografia, segue nessa linha e aplica por cima uma mão de barroco. Seu Água Fria do Mar é escuro, o que dá a cenas como a dos cavalos na praia um aspecto fantasmagórico.
Muito por conta da luz, a todo momento fica a impressão de que estamos em uma realidade alternativa, reprodução distorcida da nossa, onde todas as coisas que para nós sempre foram normais tornam-se não só incômodas como estranhamente inéditas e irrepetíveis. Muita gente vai reclamar do final aberto de Água Fria do Mar, mas não se engane: esse final nos deixa com uma garantia. Ao tornar literal, no tropeço de um buraco e na picada de uma cobra, aquelas mazelas até então simbólicas que acompanhávamos, o filme nos certifica de que este mundo que vemos é realmente o nosso.
