Crítica | Assassino a Preço Fixo

"A vitória ama a cautela" também no roteiro

17 de Março de 2011


Assassino a Preço Fixo

The Mechanic
EUA , 2011
- 93 min.
Ação
Direção:
Simon West
Roteiro:
Richard Wenk,
Lewis John Carlino
Elenco:
Jason Statham, Ben Foster,
Donald Sutherland,
Tony Goldwyn, Mini Anden,
Christa Cambell,
Katarzyna Wolejnio,
Monica Acosta, Jett Chase,
Beau Brasso, Nick Jones,
 Eddie J. Fernandez,
Ada michelle Loridans,
 J.D. Evermore, Grand Case.
assassino a preço fixo
assassino a preço fixo
assassino a preço fixo
Assassino a Preço Fixo (The Mechanic, 2011), a refilmagem estrelada por Jason Statham (Os Mercenários) do filme homônimo de 1972 com Charles Bronson, seria interessante, não fosse a irritante mania de certos roteiristas de tomar atalhos, subestimando a inteligência alheia. Na metade da história, quando tudo se encaminha para um desfecho honesto, Arthur (Statham), o matador do título, está voltando para casa depois de um serviço, quando vê, no aeroporto de Chicago, um de seus colegas de profissão - alguém que deveria estar morto.

Quando o confronta, Arthur descobre a verdade sobre um contrato passado que realizou, uma que o coloca no caminho da vingança, invertendo a lógica do filme. O problema é que o texto deixa claro logo no início que tais sujeitos são dois dos melhores assassinos do ramo. E quando um assassino profissional, que age com precisão cirúrgica, diz “me mandaram desaparecer” e passeia, semanas depois do ocorrido, por um aeroporto central nos EUA como se nada tivesse acontecido, você começa a desconfiar da qualidade do filme. Mais ainda, da necessidade do roteiro (adaptado por Richard Wenk do original de Lewis John Carlino) em aplicar uma coincidência extremamente conveniente (não basta o passeio... o outro assassino tem que estar ali para vê-lo) para escapar do nó em que se meteu. Afinal, sem essa péssima cena, a trama não teria como avançar.

Como Assassino a Preço Fixo não é desses filmes de ação pela ação - portanto, algo assim faz (e muita) diferença. Até ali o desenvolvimento vinha bem, com um tempo interessante para o gênero. Econômico, o regular Simon West (Tomb Raider, Quando um Estranho Chama) segura durante uma hora inteira os tiroteiros e explosões. Dessa forma, quando eles começam, não parecem gratuitos ou forçados, mas devidamente preparados, algo coerente com a personalidade do protagonista. Arthur, afinal, é conhecido pela finesse... “os melhores trabalhos são os que ninguém sabe que estive lá”, afirma (a sequência de abertura em Barranquilla, o apreço a belos objetos e música clássica também são determinantes nessa definição).
Statham faz Arthur como o mesmo personagem de sempre, o sujeito sério que explode em velocidade e técnica letal quando é requisitado. Seu contraponto é o excelente Ben Foster, ator de qualidade, que interpreta Steve, o filho do mentor assassinado de Arthur (Donald Sutherland). A relação entre os dois é convincente. O assassino aceita treinar o jovem sem rumo - que se ressente da relação do outro com seu pai - em respeito à figura paterna que perdeu. Já os demais personagens são limitados a estereótipos: o chefão da empresa que realiza os serviços de assassinato é como todos os outros que já passaram pelas telas e existe uma prostituta que o filme, inteligentemente, deixa em terceiro plano - para esquecer mais adiante sem culpa.

West filma bem e suas escolhas visuais são interessantes. A granulação da imagem dá um toque de sobriedade, uma certa aura setentista de perigo iminente ao filme. As cenas de ação, por sua vez, têm aquela crueza a la Jason Bourne que virou regra. Assassino a Preço Fixo seria mais um filme de ação bacana, do qual você não se lembraria daqui a seis meses, não fosse a citada irritante conveniência do aeroporto, uma que implode qualquer história da mesma maneira que Statham oblitera quarteirões inteiros quando solicitado. Faltou aos realizadores o mesmo "Amat Victoria Curam" (a vitória ama a cautela) que o texto martela o tempo todo na tela.
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