Quadrinista francês leva às telas a vida fabulosa de Serge Gainsbourg
28 de Setembro de 2010
Gainsburg
França, Estados Unidos , 2010 - 130 min
Biografia / Drama
Direção:
Joann Sfar
Roteiro:
Joann Sfar
Elenco:
Eric Elmosnino, Lucy Gordon,
Laetitia Casta, Doug Jones,
Anna Mouglalis, Mylène Jampanoï,
Sara Forestier, Kacey Mottet Klein,
Razvan Vasilescu, Dinara Drukarova,
Philippe Katerine, Deborah Grall
França, Estados Unidos , 2010 - 130 min
Biografia / Drama
Direção:
Joann Sfar
Roteiro:
Joann Sfar
Elenco:
Eric Elmosnino, Lucy Gordon,
Laetitia Casta, Doug Jones,
Anna Mouglalis, Mylène Jampanoï,
Sara Forestier, Kacey Mottet Klein,
Razvan Vasilescu, Dinara Drukarova,
Philippe Katerine, Deborah Grall
Sfar não vem do nada. Está, aliás, também a caminho de virar tesouro nacional, mas através dos quadrinhos. Sua carreira nas bandes dessinées já tem mais de 20 anos, uma centena de álbuns e destaques como a missão de adaptar o clássico literário O Pequeno Príncipe para as HQs. Gainsbourg, aparentemente, serve de teste para que ele alcance seu verdadeiro objetivo: adaptar sua série O Gato do Rabino para as telonas, em animação.
Sfar saiu-se bem no desafio, mesmo diante de uma personalidade tão conturbada quanto Gainsbourg: criança durante a ocupação nazista, estudante de pintura que abandonou a carreira, grande adepto de bebedeiras, cantor/compositor que foi da música clássica ao funk, mais bebedeiras, celebridade pop, as conquistas amorosas (já falo delas), as controvérsias (ele gravou o hino nacional francês em ritmo de reggae), mais e mais bebedeiras. E o diretor foi além: encarou a grande armadilha das cinebiografias, tentar condensar acontecimentos de toda uma vida em duas horas.
A solução para evitar os clichês do gênero merece aplausos. Como o roteirista/diretor comenta em entrevistas, não quis fazer uma versão didática da biografia de Gainsbourg, mas sim uma fábula. E o tom de fábula fica claro desde o início, quando Gainsbourg-criança encontra uma figura com traços caricatos de judeus e que parece um boneco de desfile de carnaval, representando a herança judaica que o perseguiu toda a vida.
Pouco mais à frente, nós e o Gainsbourg-jovem somos apresentados a La Gueule (“A Voz”, dublada por Doug Jones de Hellboy). A criatura antropomórfica, caricatura do próprio Gainsbourg com o nariz alongado até parecer um rato, parece representar a audácia do biografado. Como esse, os grilos-falantes de fantasia ressurgem ao longo do filme, acompanhando as decisões e pontos importantes da vida de Gainsbourg. É também um toque autoral de Sfar, pois os bonecos lembram seus desenhos.
A produção também dá atenção merecida à relação de Gainsbourg, conquistador amoroso cheio de audácia - pois não era nem de longe um galã -, com Brigitte Bardot (interpretada de forma caricaturesca pelos 89 cm de busto de Laetitia Casta) e ao casamento com a cantora inglesa Jane Birkin (Lucy Gordon, de Bonecas Russas). A primeira rende as cenas mais engraçadas do filme, como a em que os pais de Gainsbourg descobrem que ele tem um relacionamento “com Brigitte Bardot!”. Já a segunda gera tanto cenas de tristeza quanto de alegria, como a relação do biografado com as filhas - entre elas, a hoje atriz Charlotte Gainsbourg (Anticristo, The Science of Sleep).
Conta-se, aliás, que Sfar queria a própria Charlotte para interpretar Serge, mas não conseguiu convencê-la (o que daria uma nova camada de significados freudianos ao filme). O ator escolhido, Éric Elmonsino, está excelente no papel não apenas por adaptar-se às variadas caras e momentos da vida do biografado, mas também pela semelhança física com ele.
Estas soluções variadas de Sfar para o filme dão um gosto diferente ao que se poderia esperar de uma cinebiografia. É necessário conhecer um pouco da vida do músico para entender algumas cenas, principalmente as mais fabulosas – mas isso é desnecessário se a sua preocupação for apenas sentar-se no cinema e curtir a fábula. O porém é que, depois da primeira hora de filme, o roteiro parece apressar-se para conseguir colocar na tela uma vida de realizações. Os 70 minutos restantes avançam entrecortados para dar conta da história. Se fosse mantida a fábula, o resultado seria menos didático, mas sem dúvida mais criativo.
