Crítica: Os Outros Caras

Humor de internet nas telonas

25 de Novembro de 2010


Os Outros Caras

The Other Guys
EUA , 2010 - 107 min.
Comédia
Direção:
Adam McKay
Roteiro:
Adam McKay, Chris Henchy
Elenco:
Mark Wahlberg, Will Ferrell,
Steve Coogan, Michael Keaton,
Eva Mendes, Samuel L. Jackson,
Dwayne Johnson, Ray Stevenson,
Bobby Cannavale, Rob Riggle,
Brooke Shields, Adam McKay,
Lindsay Sloane
Os Outros Caras
Os Outros Caras
Os Outros Caras
A parceria do diretor Adam McKay e o comediante Will Ferrell, que já rendeu filmes como Quase Irmãos e Ricky Bobby - A Toda Velocidade, atinge em Os Outros Caras (The Other Guys, 2010) um de seus pontos mais altos, digno de figurar perto de O Âncora - A lenda de Ron Burgundy como um de seus melhores trabalhos.
Se você assistiu a 10 minutos sequer de qualquer um dos filmes citados acima, já sabe o que esperar da novidade: humor pelo humor, sem grandes preocupações adicionais.
Na trama de Os Outros Caras, o detetive Aleen Gamble (Ferrell) cuida de relatórios de contabilidade forense sem se interessar pela ação nas ruas. Seu parceiro, o detetive Terry Hoitz (Mark Wahlberg), teve fim burocrático parecido depois que um acidente em serviço acabou rebaixando-o na hierarquia. Os dois trabalham na divisão policial de Nova York, ao lado dos grandes astros do departamento, Danson e Manzetti (Dwayne Johnson e Samuel L. Jackson), mas uma pista em um caso os coloca em uma inesperada posição de destaque.
Ferrell e Wahlberg estão ótimos. O primeiro aparece mais contido que o habitual, enquanto o outro demonstra uma qualidade cômica imprevista. O elenco de apoio é igualmente divertido, especialmente a vulcânica Eva Mendes, que vive Sheila, a mulher "normalzinha" de Gamble. Johnson e Jackson, como os superpoliciais de Nova York, fazem uma paródia dos filmes de ação policial que dura uns bons 15 minutos de ação e explosões. O exagero é hilariante, especialmente o desfecho do arco dos dois - que é seguido por uma das cenas mais engraçadas das comédias do ano, a luta silenciosa, exemplo brilhante de utilização de humor fisico.
As piadas são ótimas e compensam o fraco último ato. Improvisações também são recorrentes, como a antológica discussão filosófica da luta entre o leão e o atum de Os Outros Caras. Com essa fusão de besteirol, humor físico, momentos surrealistas e boas atuações, nem vale a pena ficar relacionando os problemas do roteiro. O material para gargalhadas é farto e elas não param, incluindo aí algumas piadas recorrentes e inacreditáveis, como a da orgia de mendigos.
É como se em Os Outros Caras Ferrell e McKay tenham decidido parar de tentar fazer bons longas-metragens para entregar uma antologia de esquetes com os mesmos personagens... lição que parecem ter aprendido com o sucesso do site Funny or Die e curtas como The Landlord. A transição funciona tão bem quando o sistema do site deles, que engata um vídeo em seguida do outro até que você aperte o "stop". Assim, o filme vale pelas risadas, mas some rápido da memória na saída do cinema tão rápido quando os quadros do Funny or Die quando você finalmente fecha o navegador.
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