Crítica: Dias Violentos

Imagens surrealistas e personagem cativante amainam drama sobre drogas

25 de Outubro de 2010


Dias Violentos

Quchis Dgheebi
Geórgia , 2010 - 86 min.
Drama
Direção:
Levan Koguashvili
Roteiro:
Levan Koghuashvili, Boris Frumin,
Nikoloz Marri
Elenco:
Guga Kotetishvili, Irakli Ramishvili,
Zura Begalishvili
Dias Violentos
Em Tbilisi, maior cidada da República da Geórgia, o fracassado Checkie, aos 45 anos, passa seus dias tentando "descolar uma parada". Ele é viciado em heroína e, ao lado de seus amigos vagabundos, mata o tempo entre uma dose e outra nos arredores da escola pública que frequentou - onde seu próprio filho estuda.
A situação de Checkie se complica quando o filho (Irakli Ramishvili) de um ministro, amigo de infância dele, se aproxima para tentar conseguir drogas e parecer bacana aos olhos dos colegas. Checkie precisa lidar então com o assédio da polícia corrupta local (que vê na situação uma maneira de extorquir dinheiro do ministro), suas dívidas, problemas familiares e as aflições físicas causadas pela abstinência da droga.
A premissa pode parecer um drama pesadíssimo, mas o filme escrito e dirigido por Levan Koguashvili tem um humor nada convencional que o torna mais leve do que o esperado. Guga Kotetishvili, que interpreta Checkie, é uma espécie de híbrido entre o Seu Madruga de Chaves e os personagens de Trainspotting com seu jeito carinhoso, malandro e cativante.
Koguashvili acerta a mão ao apostar em situações inusitadas para quebrar o clima tenso do tema. As desgraças encontram seus auges em clima surrealista, com planos bizarros, como o sequestro da menininha do coral (um lobo-mau e um coelhinho a levam no carro), ou a transação de drogas que acaba com um velhinho saltando do parapeito de sua casa. Tais momentos contrastam com o realismo das cenas em que Checkie precisa lidar com problemas do cotidiano e seu vício. Esses dois aspectos tornam Dias Violentos (Quchis Dgheebi, 2010) uma curiosa - e bem realizada - experiência.
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