Crítica: Transfer

Ficção científica alemã com questões raciais se enrola sozinha

27 de Outubro de 2010


Transfer

Alemanha , 2010 -
91 minutos
Ficção científica
Direção:
Damir Lukacevic
Roteiro:
Gabi Blauert, Damir Lukacevic
Elenco:
Billy J.R. Britt, Regine Nehy,
Hans-Michael Rehberg
transfer
mostra 2010
34a. mostra
Transfer (2010) é um filme estranho. Para começar, é uma ficção científica alemã contemporânea. Quando começam os créditos iniciais, a sensação é de que veremos um filme feito nos Estados Unidos, pelo estilo dos créditos e pela trilha. Quando descobre-se que os protagonistas são dos EUA, e negros, é quase uma obrigação ver no que esta mistura vai dar. Pena que é uma decepção.
O filme se passa no presente, quando Hermann (Hans-Michael Rehberg) e Anna (Ingrid Andree), casados há 50 anos, descobrem que ela está com uma doença terminal e resolvem recomeçar a vida. Eles procuram a Menzana, empresa que compra seres humanos para fazer transferência de corpos, que oferece ao casal os saudáveis e jovens Apolain (B.J. Britt, de Os Vampiros que se Mordam) e Sarah (Regine Nehy, de Morte no Funeral), dois africanos que vão usar o dinheiro da negociação para manter suas famílias em Mali e na Etiópia.
Para fazer essa transferência, a empresa usa um "Transportador de Personalidade" (no melhor estilo Chapolin Colorado) e mantém um funcionário de plantão à noite na casa dos clientes como vigilante, quando por apenas quatro horas as personalidades de Apolain e Sarah se manifestam nos corpos de Hermann e Anna. O problema é que a personalidade de Apolain, quando se dá conta que está dividindo o corpo com um homem branco, se revolta. Para piorar, ele e Sarah se apaixonam e têm um filho. Aí vem o dilema: de quem é a criança?
Se o filme já começa a ficar confuso, então algo ainda mais estranho acontece em Transfer: o funcionário da Menzana que observa e controla as atividades dos dois casais começa a agir de forma bizarra sem motivo explicado no roteiro. Ele parece enlouquecer, mas o filme não explica o motivo nem conclui a trajetória desse personagem. E não é apenas essa questão que fica sem resposta.
Para não fugir do tema de nove entre dez filmes alemães, os resquícios de nazismo estão ali. O que mais espanta os antigos amigos de Hermann e Anna não é o fato de que eles fizeram uma transferência de corpos e estão 50 anos mais jovens, mas sim que eles estão negros. A questão racional poderia ter sido muito bem explorada, já que é aqui sem dúvida o grande mote, mas o filme não traz argumentos plausíveis e convincentes para o espectador e, pior, tenta encontrar bandidos e mocinhos entre os casais brancos e negros.
A ideia de Transfer não é das piores, os protagonistas atuam razoavelmente bem e falam alemão perfeitamente. Uma pena que faltou um roteiro mais amarrado e menos confuso para contar esta história.
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