Crítica: Piranha 3D

Exploitation guloso não deixa sobrar nada para os futuros filmes deslumbrados com o 3D

21 de Outubro de 2010


Piranha 3D

EUA , 2010 - 88 minutos
Terror
Direção:
Alexandre Aja
Roteiro:
Pete Goldfinger, Josh Stolberg
Elenco:
Steven R. McQueen,
Elisabeth Shue,
Jerry O'Connell, Kelly Brook,
Ving Rhames, Adam Scott,
 Quinn Lord,
 Jessica Szohr, Riley Steele,
Christopher Lloyd,
Eli Roth, Paul Scheer,
Richard Dreyfuss,
 Dina Meyer, Brooklynn Proulx
kelly brook
riley steele
É muito provável, no futuro, que o guloso Piranha 3D seja lembrado como o último título da primeira fase do novo 3D, o período de deslumbramento com a tecnologia. Último porque esgota tudo; o remake do clássico trash de 1978 se empanturra de 3Dxploitation.
A justificativa, para quem se importa: um terremoto abre uma fenda no fundo do Lago Victoria e libera na superfície um cardume de Pygocentrus nattereri que vivia lacrado num bolsão subterrâneo pré-histórico. Como o Lago Victoria está recebendo as férias de primavera, as piranhas não vão morrer de fome.
Depois de rápida acomodação, a trama se divide em dois cenários: a orla cheia de estrogênio que o delegado Fallon (Ving Rhames) e a xerife Julie (Elisabeth Shue) tentam controlar; e a lancha afastada onde os três filho de Julie estão encalhados com uma equipe de filmagem pornô. A má influência das atrizes é o único perigo que as crianças correm - é óbvio que o diretor Alexandre Aja não vai trucidar os infantes. De resto, todo e qualquer personagem pode virar carniça em segundos.
Piranha 3D redefine o adjetivo "superficial". Tudo o que importa no filme acontece no primeiro plano saliente, desde os peixes que atravessam a tela até os peitos (e um pênis) apontados para o espectador. Como o filme não foi rodado em 3D, mas convertido ao formato na pós-produção, esse primeiro plano é instável. Muita coisa fica borrada ou chapada, e o efeito funciona melhor no que era mais simples de tridimensionalizar: corpos submersos com o fundo liso da água.
Não por acaso, a cena do filme em que a conversão ficou melhor (a ponto de ser citada sozinha nos créditos finais) é o balé 3D de Riley Steele e Kelly Brook, quando a história basicamente se interrompe para assistirmos ao mergulho das peladas. Se a essência do exploitation é ter consciência da exploração, nada mais justo do que fazer de atrizes pornô as protagonistas da ação.
Dito isso, chega a ser um impacto, mais adiante, já perto do fim, quando Aja fecha o close-up em Jessica Szohr e registra por uns dois segundos o grito da aspirante a scream queen. É como se de repente ele quisesse criar uma identificação nossa com as vítimas - um absurdo. A nossa identificação é com as piranhas (claro) e com o voyeur/diretor de pornô interpretado por Jerry O'Connell, que começa o filme dizendo que vai revolucionar o cinema e termina se contentando com uns peitinhos.
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