Filme que causou comoção no Festival de Veneza discute os limites entre a curiosidade e a morbidez
02 de Novembro de 2010
Venus Noire
França / Itália / Bélgica , 2010
- 159 minutos
Drama
Direção:
Abdellatif Kechiche
Roteiro:
Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix
Elenco:
Yajima Torres, Andre Jacobs,
Olivier Gourmet, Elina Löwensohn
França / Itália / Bélgica , 2010
- 159 minutos
Drama
Direção:
Abdellatif Kechiche
Roteiro:
Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix
Elenco:
Yajima Torres, Andre Jacobs,
Olivier Gourmet, Elina Löwensohn
Ela fazia seu show dentro de uma jaula, com uma roupa que mais expunha do que escondia seu corpo e, instigada por seu "dono", dançava, atacava a plateia e era ridicularizada. Quando autoridades locais começaram a investigar e acusar Caesar de escravidão, eles foram embora para Paris. Lá, Saartjie passou não apenas a ser apresentada publicamente como uma criatura abominável, obrigada a participar de shows eróticos, mas também a se prostituir.
É esta história triste e verídica que o diretor e roteirista franco-tunisiano Abdellatif Kechiche (O Segredo do Grão) conta em seu Vênus Negra (Venus Noire, 2010), exibido no último Festival de Veneza e provavelmente um dos filmes mais chocantes do ano. Pesado e com longas cenas ininterruptas que mostram a horrível exposição pela qual Saartjie era vítima, é quase uma tortura assisti-lo. Mesmo assim, prende o espectador durante suas 2h40 de duração.
O grande destaque de Vênus Negra é a estreante atriz cubana Yahima Torres. Assim como a verdadeira Saartjie, ela tem seu corpo exposto na tela durante quase todo o filme e sua expressão é de apatia. Apenas em dois momentos sua personagem chora, em cenas que emocionam.
O questionamento por trás do roteiro é "até onde vai a curiosidade e a exploração humana perante algo ou alguém considerado fora dos padrões?". A história da Vênus Hotentote se passou no século XIX, mas a dúvida é pertinente também aos dias de hoje. Claro que não existem mais shows de horrores nas ruas, mas a nossa exploração da morbidez resiste You Tube afora. É impossível não manter os olhos fixos em Saartjie Baartan. Vênus Negra tenta entender a linha tênue que separa o curioso do humilhante.
